No extremo noroeste paulista, Rubinéia faz fronteira com São Paulo e Mato Grosso do Sul. Sua antiga sede foi deliberadamente inundada para dar lugar à represa da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira. E a nova sede construída próxima a antiga região, em 1973.
O nome da cidade é a junção dos nomes Rubens e Néia. O casal era dono das terras onde a antiga cidade, em 1951. Rubens de Oliveira Camargo foi um grande agente na construção urbana da cidade e, apesar da vida curta, recebeu a homenagem junto da esposa.
A antiga Rubinéia

A antiga sede ficava às margens do rio Paraná e com a inundação perdeu um terço de seu território para as águas da represa. Sua desapropriação se iniciou em 1960, quando as casas, comércios e prédios públicos foram esvaziados.
A população considerou as indenizações tardias e insuficientes. Estima-se que a cidade tinha por volta de 10 a 12 mil habitantes. O número, se comparado ao atual, se mostra superior, evidenciando o impacto social negativo da inundação na vida dos habitantes da época.
A atual Rubinéia se ergueu com uma nova configuração, porém com a mesma ligação com o rio Paraná. A única diferença é que foi possível começar a explorar o turismo náutico na região, transformando o percalço em oportunidade econômica.
A história da antiga e da nova Rubinéia também se tornou inspiração de obras literárias, como o livro “Infância Submersa”, do jornalista Adriz Jacob. Na trama, Adriz relata a experiência de crescer na antiga cidade e ver tudo sendo apagado pelas águas.
O jornalista tinha apenas 14 anos quando precisou se mudar com a família, a narrativa é um registro pessoal, mas também histórico do período.
Outra obra inspirada pela cidade foi o poema “Os submersos” de Carlos Drummond de Andrade. No texto, Rubinéia aparece como símbolo das cidades e memórias sacrificadas em nome do progresso hidroelétrico.
O que fazer em Rubinéia?

Rubinéia tem a economia girando em torno do turismo náutico, suas principais atividades envolvem as águas, como a pesca esportiva e os esportes náuticos. Os rios que cercam o município possuem infraestrutura como marinas, rampas e barcos para passeios.
Outras opções imperdíveis são as praias de água doce. A Praia do Sol, Praia de Ipanema e Praia do Pedregulho Cor‑de‑Rosa tem faixas de areia com quiosques, e infraestrutura que conta com chuveiros e espaços para lazer.
Durante as estiagens do rio Paraná, quando o nível das águas cai consideravelmente, na região da Praia de Ipanema é possível ver pedaços de concreto de construções da cidade submersa. A última aparição foi em 2014, durante a crise hídrica que atingiu São Paulo.