No século 19, a Fazenda Nossa Senhora da Conceição começou como uma produtora de açúcar e depois seguiu para o produção de café. Localizada em Jundiaí, hoje a fazenda segue no ramo da hotelaria, recebendo visitantes e contando a própria história através de museus e atividades culturais.
Construída em 1810, a propriedade pertencia a Francisco José da Conceição, o Barão da Serra Negra e uma figura ilustre na elite cafeeira da época. Em seu auge, a fazenda tinha uma intensa produção com cerca de 350 mil pés de café. Se utilizava de mão de obra escravizada, além de exportar suas mercadorias.
Após a abolição de 1888, a fazenda recebeu imigrantes italianos para trabalhar nas lavouras, substituindo os mais de 120 escravizados mantidos na propriedade anteriormente. Vale ressaltar que, mesmo diante da crise do café de 1929, a fazenda não “quebrou”, reforçando a capacidade de adaptação econômica.

Atualmente, a fazenda segue com suas estruturas preservadas e em pleno funcionamento, tanto a casa sede, quanto às antigas construções ligadas a produção, além das senzalas domésticas. A construção segue a chamada “arquitetura do café”, com um modelo similar às fazendas do mesmo ramo e época.
A Fazenda Nossa Senhora da Conceição na rota das ferrovias

Inaugurada em fevereiro de 1867 pela companhia ferroviária britânica, a São Paulo Railway é a primeira ferrovia paulista. Que inclusive tinha o objetivo de ligar Jundiaí ao porto de Santos, além de transportar o café do interior até o mercado externo.
A Fazenda Nossa Senhora da Conceição teve um papel importante na escolha do caminho onde a ferrovia passaria. Por ser uma das maiores produtoras de café, fez parte da justificativa da necessidade de construir a linha férrea no local.
Com a construção da ferrovia, o esperado era descentralizar o transporte de mercadorias pela Serra do Mar e reduzir assim o tempo e custos gerados na logística. O objetivo também era facilitar o escoamento de outros produtos, otimizando o processo.
Permaneceu sob a administração da ferroviária britânica até o ano de 1946 e, no ano seguinte, concedida para a Rede Ferroviária Federal. Por isso, seu nome foi alterado para Estrada de Ferro Santos–Jundiaí.
Como visitar a fazenda?
No período áureo, a fazenda chegou a receber visitantes ilustres como Dom Pedro II, a Princesa Isabel e seu marido Conde d’Eu. Hoje aceita reservas de hospedagem e day use. Oferece no roteiro o café da manhã e almoço, além de atividades turísticas.
Além disso, também tem um museu que funciona como um registro do passado cafeeiro local, fala sobre a escravidão e a vida rural. É um roteiro bem procurado para passeios escolares com fins pedagógicos.
Também tem possibilidade de fazer visitas guiadas pela propriedade, além de passeios a cavalo, pônei e de trenzinho. As crianças podem aproveitar a fazendinha ou o playground enquanto os adultos se divertem nas trilhas, lagos, restaurantes ou lojas de artesanato.