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Liberdade: conheça a origem macabra por trás do nome do bairro

Giulia Trecco Giulia Trecco - Editora | São Paulo Secreto

liberdade nome do bairro

Suposto milagre durante execução em praça pública marcou a história do bairro.

Um dos principais pontos turísticos de São Paulo é, sem sombra de dúvidas, o bairro de Liberdade. Além de ser o maior reduto da comunidade japonesa em São Paulo, reúne estabelecimentos para todos os tipos de rolês. Por lá, é comum encontrar famílias se aventurando em um dos restaurantes orientais da região, amigos cantando em karaokês ou jovens otakus garimpando as lojinhas por artigos de seus mangás ou animes favoritos. Porém, quem vê o bairro movimentado e colorido de hoje, mal consegue imaginar que o local tem origem bastante mórbida.

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A história do bairro remonta aos séculos XVII e XVIII, com o loteamento e ocupação de antigas chácaras. Por ser considerada periférica, a região servia mais como passagem entre o centro da cidade e Santo Amaro, que ainda era município naquela época.

Anos depois, em 1754, a construção de um depósito de armas e munições fez surgir o nome Bairro da Pólvora. Na época, o pedaço onde hoje fica a Praça da Liberdade continha uma forca, na qual eram executados principalmente escravos fugitivos, e um pelourinho. Por conta disso, o lugar recebeu o macabro nome de Largo da Forca.

Ali perto também ficava o Cemitério dos Aflitos (ou Cemitério dos Enforcados), a primeira necrópole pública da cidade. Indigentes e pessoas mortas na forca eram todos enterrados no local, que funcionou até a inauguração do Cemitério da Consolação, em 1858.

Só em 1870, com a abolição da pena de morte por enforcamento no Brasil, as execuções cessaram no largo. Depois disso, o nome do lugar finalmente foi mudado para Praça da Liberdade, como o conhecemos hoje.

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Mas de onde vem o “Liberdade” da praça?

Em 1821, o soldado negro Francisco José das Chagas, de apelido Chaguinha, liderou uma revolução por melhores salários. Por ousar desafiar a coroa, acabou condenado a morrer na forca.

Marcada para o dia 20 de setembro do mesmo ano, a execução não ocorreu como esperado. Na primeira tentativa, a corda utilizada para o enforcamento arrebentou logo após a abertura do palanque. Minutos depois, em uma nova tentativa, outra corda se rompeu.

As quase 10 mil pessoas que estavam lá para assistir à execução pediram para que os soldados não prosseguissem com a missão de matar Chaguinha, temendo que as duas tentativas frustradas fossem um sinal divino. Gritavam “liberdade, liberdade” a favor do jovem, que havia crescido na região, mas o clamor não foi suficiente. Os carrascos fizeram uma nova tentativa, conseguindo, por fim, levar o enforcamento até o final.

Foram os gritos da população que originaram, em 1870, o nome da Praça da Liberdade e, consequentemente, do bairro. Por fim, em 1887, foi erguida no largo a capela Santa Cruz da Alma dos Enforcados, em memória a Chaguinha e a todos os outros que encontraram um fim naquela forca.

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Foto de capa: capivara!/Flickr