A 300 km de São Paulo, a Fazenda Santa Clara em Santa Rita de Jacutinga, Minas Gerais, é a maior sede rural da América Latina. Construída entre 1760 e 1780, a propriedade de 6 mil metros quadrados hoje abriga um passado sombrio e teorias sobre a numerologia em sua arquitetura.
As terras foram cedidas em sesmaria ao comendador Francisco Tereziano Fortes de Bustamante pelo Governo Imperial. O objetivo era torná-la um grande empreendimento rural, no auge do ciclo do café. Mais tarde, fazenda também se tornou um dos grandes símbolos da escravidão no país.
Arquitetura e o passado escravagista
A teoria é que os números da construção remetam propositalmente ao calendário. As 365 janelas, que representariam os dias do ano, os 52 quartos as semanas e os 12 salões os meses, o boato ronda a história do local até hoje.
Há quem diga que as 365 janelas nunca existiram, e que algumas foram pintadas para aparentarem uma ventilação melhor. A lenda diz que as janelas falsas eram um meio de enganar a fiscalização na época em que as proibições ao tráfico de escravizados começaram.
Durante o século 19, no auge de sua produtividade, a fazenda concentrou um número de escravizados considerado anormal para a época. Chegando a abrigar 2.800 pessoas e servindo também como centro de reprodução.
No ano de 1924, após a abolição da escravidão no Brasil, a fazenda passou por dificuldades financeiras para se manter. Após ir a leilão, foi arrematada pelo coronel João Honório de Paula Motta. A propriedade permanece na família, que abriu o local para visitação.
Tour pela fazenda Santa Clara

Durante anos, o público podia explorar a fazenda internamente, conhecendo de perto o local em um tour cheio de histórias com uma das moradoras. A propriedade também já foi cenário de novelas como “Terra Nostra”, da Rede Globo e outras produções audiovisuais.
Os atuais donos conservam o interior com a mobília e os objetos da época, a senzala com troncos e instrumentos de tortura. Atualmente, a fazenda está fechada para visitação interna, sendo possível visitar apenas os arredores.
Houve um desabamento recente em uma das paredes das senzalas e a estrutura da fazenda se mostrou frágil. É um patrimônio tombado pelo IEPHA de Minas Gerais, e não recebe investimentos ou recursos públicos para restauração, permanecendo com riscos estruturais.