Localizada em Iperó, no interior de São Paulo, a Fazenda Ipanema tornou-se um sítio histórico famoso por abrigar as ruínas da Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema. A região descoberta em 1589 pelo pai e filho bandeirantes Afonso Sardinha, abrigou dois fornos de fundição que usavam madeira, água e o minério local para funcionar.
Os experimentos feitos no século 16 pelos Sardinhas são documentados como a primeira tentativa de produzir ferro nas Américas.
Anos depois, em 1810, a família real portuguesa decidiu investir em uma siderúrgica no mesmo local, com interesse na proximidade do Morro Araçoiaba, que contava com jazidas de minério de ferro, além de recursos naturais em abundância para alimentar os fornos da fábrica.
Outro investimento foi a importação de profissionais com experiência em siderurgia, chegaram à fábrica os alemães, suecos e austríacos. Além deles, a fábrica ainda usava mão de obra escravizada, presente em todas as etapas de produção.
O fim da Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema

Após anos de crescimento sendo dirigida pelo General Mursa, se tornou referência em tecnologia no Brasil. O processo estiriano trazido pelos operários austríacos em 1878 foi o responsável pela modernização, pois era uma nova forma de refinar ferro.
A fábrica esteve em pleno funcionamento até cerca de 1895, quando passou a ter problemas financeiros. A concorrência mais ampla e barata, além do alto custo para se manter, aceleraram o processo. Foi transferida para o Ministério da Guerra, o espaço foi usado como depósito e quartel, marcando o fim as atividades siderúrgicas.
A fábrica foi oficialmente extinta em 1912, por meio do decreto n. 9.757. As construções foram utilizadas para fins agrícolas e militares nas décadas seguintes e, após a desocupação, foram abandonadas. Hoje, o local é um patrimônio histórico tombado desde 1964.
O que esperar da visita à Fazenda Ipanema

Localizada na Floresta Nacional de Ipanema, a fazenda abriga até 300 espécies de aves avistadas durante a visitação, além de ser possível praticar ciclismo e até observar estrelas. Se optar por saber a história do local, é recomendável a contratação de um guia focado no assunto.
Cerca de 20% da antiga fábrica ainda está de pé e bem conservada. O passeio engloba desde os fornos e oficinas até a sede da administração, local que hospedava D. Pedro II em suas visitas à siderúrgica. Outra parte imperdível é a casa da guarda, que possui uma porta de ferro instalada em comemoração à maioridade de D. Pedro II, em 1840.
O roteiro histórico também abrange a antiga locomotiva utilizada na fundição de ferro, o relógio de sol ainda em funcionamento e o cemitério protestante, considerado um dos primeiros do Brasil.