Você sabia que existe uma vila operária dentro de São Paulo, mais precisamente no bairro do Belenzinho? A Vila Maria Zélia foi criada para abrigar cerca de 2500 funcionários da filial da tecelagem Cia Nacional de Tecidos da Juta, no início do século 20.
Atualmente, o local preserva não apenas características arquitetônicas únicas, mas também memórias da vida e da cultura operária que marcaram o desenvolvimento de São Paulo.

Você conhece a história da Vila Maria Zélia?
A construção da Vila Maria Zélia começou em 1912, quando o médico e industrial Jorge Street decidiu oferecer moradia digna aos trabalhadores de sua tecelagem. O arquiteto Paul Pedraurrieux foi o responsável pelas obras, concluídas apenas em 1917.
Na época de sua inauguração, a vila ganhou destaque por parecer uma cidade em miniatura. Contava com capela, farmácia, ambulatório, quadra esportiva, coreto, espaços de convivência e até mesmo escolas gratuitas para meninos e meninas — que, à época, estudavam separados. Ou seja, oferecia uma qualidade de vida impensável para o período, no qual a maioria dos operários vivia em cortiços.

Em 1924, a vila passou para a família Scarpa e, cinco anos depois, foi adquirida pelo Grupo Guinle. No entanto, problemas financeiros do grupo levaram, já na década de 1930, ao confisco da vila e da fábrica pelo governo federal. Assim, a propriedade passou a ser pública e o acesso foi liberado à população.
A partir de 1968, os moradores puderam adquirir suas residências pela primeira vez, após anos pagando aluguel. Na década de 1990, o governo reconheceu o local como patrimônio histórico, mas muitos dos novos proprietários já haviam derrubado ou descaracterizado as residências originais, o que comprometeu parte de seu charme inicial.

Afinal, de onde vem o nome da vila?
Embora a vila seja bastante conhecida pelos paulistanos, poucos sabem a origem de seu nome. Trata-se de uma homenagem a Maria Zélia Street, filha de Jorge Street, que nasceu em 1899 e faleceu ainda adolescente, em 1915. Sensibilizado pela perda, o industrial decidiu nomear a vila ainda em construção em memória da filha.
Hoje, a maioria das residências perdeu a arquitetura da década de 1910. Já os prédios originalmente comerciais pertencem ao governo e continuam de pé, apesar do estado de abandono. A maior parte está vazia e em condições precárias, sofrendo com furtos de materias e episódios de vandalismo.
A boa notícia é que alguns imóveis ainda estão em uso, o que contribui para conservação. Por exemplo, a capela e a antiga farmácia, que hoje abriga o Grupo XIX de Teatro e recebe atividades artísticas. Além disso, Sociedade Amigos da Vila Maria Zélia promove atividades culturais no bairro, no intuito de manter viva a memória desse patrimônio histórico da cidade de São Paulo.
