Em São José do Barreiro, no lado paulista do Vale do Paraíba, a Fazenda Pau d’Alho é uma antiga produtora de café do século 19. Tombada 1968 pelo IPHAN, a construção cercada por muros de pedra e pau‑a‑pique é um exemplar raro e tem um valor histórico inestimável.
Está localizada no chamado “Caminho Novo da Piedade”, uma importante rota de circulação entre Rio, Minas e o interior de São Paulo no século 18. A fazenda era, inclusive, um ponto de parada para os viajantes que passavam pela região.
O local atualmente faz parte do Vale Histórico, roteiro dos caminhos percorridos por Dom Pedro e a família real. O acesso é pelo quilômetro 262 da Rodovia dos Tropeiros (SP‑068).
Erguida entre os anos de 1817 e 1819, a casa pertencia a João Ferreira de Souza, permanecendo por gerações na mesma família. O sobrado, construção rara na região, contava ainda com a senzala, o terreiro de café, tulha, oficinas, moinhos e roda d’água. Além de depósitos e o prédio de bateria de pilões.

Em seu auge, a fazenda chegou a ter cerca de 300 escravizados. Além de 300 mil pés de café, gado e mulas. A produção de café tinha uma engenharia própria, com fluxos entre as lavouras e até aproveitamento de água para mover as engrenagens.
Além de café, também produziam açúcar e tabaco. A propriedade ainda tinha um fluxo de subsistência, onde a própria fazenda se mantinha e alimentava viajantes que paravam por lá para se abastecer.
A inusitada chegada de Dom Pedro I na Fazenda Pau d’Alho

No ano de 1822, durante a viagem de Dom Pedro I para o Grito da Independência, a comitiva real passou por São José do Barreiro. A fazenda ainda recém construída, com apenas o cafezal formado, recebeu o príncipe regente.
Os moradores, porém, não reconheceram o príncipe em sua chegada. Historiadores afirmam que Dom Pedro costumava cavalgar na frente da comitiva, e por isso chegou primeiro sozinho, sujo e maltrapilho. Tratado como um viajante qualquer, recebeu comida na porta da cozinha e comeu sentado no chão ou nos degraus.
Além disso, relatos locais dizem que o dono João Ferreira de Souza e seu filho Antônio seguiram viagem ao lado do príncipe. Compondo a guarda de honra na comitiva até o Ipiranga.
De fazenda histórica a Hotel de luxo

A Pau d’Alho chegou a ser referência em turismo histórico na região, tinha entrada gratuita e monitores para visitas guiadas. Entretanto, desde o início de 2025, a visitação pública foi suspensa por tempo indeterminado pelo IPHAN.
Inclusive, existe um projeto em andamento que busca conceder o território da Pau d’Alho para a iniciativa privada por cerca de 45 anos. O plano é a construção de um hotel de luxo de 60 quartos na área ao redor da propriedade.
A iniciativa, no entanto, não busca transformar a antiga senzala em hospedagem, mas sim em um espaço de educação sobre a escravidão. Além disso, também prevê o todo o conjunto histórico restaurado e integrado a um roteiro turístico, com visitas guiadas e exposições permanentes.