O icônico Treme-Treme recebeu esse apelido peculiar por vibrar quando veículos pesados circulavam próximo dele, mas o verdadeiro nome do gigante de concreto é Edifício São Vito. Também tem o rótulo de “favela vertical” pelo status de abandonado e pela quantidade de pessoas que já abrigou.
O prédio de 27 andares ficava na Avenida do Estado, no número 3179, no Parque Dom Pedro II. Foi construído com o objetivo de moradia popular e logo se tornou um ícone da região central paulistana, seja por seu tamanho ou pela arquitetura modernista.
A evolução e os desafios da estrutura

Construído em 1950, o Edifício São Vito tinha a proposta moderna de atender jovens e famílias pequenas que queriam residir no Centro. O projeto tinha mais de 600 unidades habitacionais compactas, bem parecidas com os studios que se popularizaram hoje em dia.
Porém, em 1970, o declínio veio por conta da falta de conservação e reparos. Para piorar a situação, os moradores fizeram algumas mudanças estruturais, buscando um jeito de ter mais espaço para acomodar mais gente. O imóvel ficou sobrecarregado, chegando ao ponto de registrar 10 moradores por quitinete.
Mas apesar dos problemas em sua estrutura, o Treme-Treme ainda abrigava uma vida comunitária comum, como todas as outras, com moradores que criaram amizades e laços fortes entre si. Para eles, o edifício era muito mais do que uma residência, era a oportunidade de morar próximo ao trabalho e os serviços essenciais.
O declínio da favela vertical e o desfecho final

O imóvel foi desapropriado com a promessa de que seria revitalizado. A situação foi ficando pior pois, nos últimos anos, interromperam serviços básicos como água e limpeza. Os próprios moradores passaram a realizar conexões elétricas clandestinamente.
Tudo isso influenciou a opinião pública ao redor, que associou o Edifício São Vito com a criminalidade. Os planos de revitalização mudaram drasticamente. Em 2011, a administração municipal decidiu por demolir a estrutura manualmente, para não prejudicar as construções vizinhas.
Atualmente, o local que um dia foi abrigo para milhares de famílias e jovens está vazio e isolado. O terreno agora dará lugar à sede do Sesc Parque Dom Pedro II, que transformará o endereço em um polo cultural para a cidade, com inauguração definitiva prevista para 2026.