À medida que apartamentos cada vez menores alcançam preços estratosféricos, o debate sobre a bolha imobiliária em São Paulo ganha força. No entanto, um estudo recente do banco suíço UBS trouxe uma surpresa: a capital paulista aparece como a cidade mais segura contra bolhas imobiliárias entre grandes metrópoles globais.
De acordo com o Global Real Estate Bubble Index 2025 (“Índice Global da Bolha Imobiliária 2025”), São Paulo ocupa a posição de menor risco em uma lista que avaliou 21 cidades importantes. Enquanto locais como Tóquio e Zurique enfrentam aumentos bruscos nos preços, a capital paulista registrou um índice de -0,10 — o único negativo e o menor já registrado em todas as edições do relatório.
Isso significa que os valores das propriedades paulistanas estão mais alinhados com a realidade econômica local do que em outros grandes centros do mundo.

O que é bolha imobiliária e por que São Paulo se destacou no relatório
A bolha imobiliária ocorre quando o preço dos imóveis sobe muito mais rápido do que a renda média e os valores de aluguel. O fenômeno gera uma valorização artificial que não se sustenta a longo prazo: quando a “bolha estoura”, os valores despencam. Assim, quem comprou durante a alta pode ficar preso a um financiamento caro por um imóvel que já não vale o que custou.
O estudo da UBS mediu esse risco por meio de métricas como o aumento de hipotecas em relação ao PIB e a comparação entre preços de venda, renda e aluguel. Os indicadores mostram que os preços reais das propriedades em São Paulo sofreram uma redução de 25% entre 2014 e 2022. Desde então, eles se mantêm estáveis devido às altas taxas de juros, que impedem aumentos sem controle.
Assim, a cidade mais segura contra bolhas imobiliárias não é aquela onde tudo é barato, mas sim onde os valores não distoam de forma exagerada da capacidade financeira da população.

O que isso muda na vida do paulistano?
A estabilidade apontada no relatório sugere uma proteção maior para quem deseja adquirir o imóvel próprio. Afinal, o risco de quedas bruscas nos preços é menor, oferecendo um pouco mais de previsibilidade para o comprador.
No entanto, isso não significa que os valores sejam acessíveis. Embora o risco de colapso seja mínimo, o custo de vida continua desafiador: os aluguéis subiram aproximadamente 5% no último ano e 25% desde 2022. Ou seja, o selo de “mercado seguro” coloca São Paulo em destaque no mapa global, mas não encerra os debates sobre acesso à moradia e desigualdade social.
