Desde maio, Carapicuíba é pioneira na Região Metropolitana ao adotar uma iniciativa que promete oferecer um espaço seguro e acolhedor para mulheres que utilizam o transporte público. O Ônibus Rosa é um serviço de uso exclusivo para mulheres que agora integra a operação regular da Del Rey Transportes.
O veículo faz o trajeto da linha municipal 15/16, que liga o Terminal do Centro de Carapicuíba até a Vila Dirce/Santa Brígida. O objetivo é oferecer às passageiras uma alternativa nos horários de pico, após relatos recorrentes de insegurança no transporte coletivo.
A ideia é atuar na prevenção de eventuais desconfortos em caso de superlotação ou assédio, ampliando a segurança e o acolhimento para as usuárias e para a condutora do veículo.
Entretanto, o fato de apenas uma linha operar em horários específicos faz da iniciativa uma experiência localizada, e não uma solução que abranja e proteja a todas.
Inclusive, ainda não há confirmação pública de planos de expansão do projeto para outras linhas municipais.
Como o Ônibus Rosa funciona?

Atualmente, o serviço não funciona como uma rede autônoma. O ônibus exclusivo para mulheres realiza viagens apenas em dias úteis, nos períodos de pico da manhã (entre 5h10 e 8h54) e da tarde (entre 15h48 e 19h53).
Homens adultos não podem embarcar, independentemente de estarem acompanhados por uma mulher ou não. Já crianças de até 13 anos podem embarcar na companhia de uma passageira.
A tarifa permanece em R$ 6,10, e a linha 15/16 convencional segue em operação normal, atendendo a todos os passageiros.
A proposta para São Paulo

A iniciativa em Carapicuíba tem como referência os vagões exclusivos já utilizados nos trens e no metrô do Rio de Janeiro.
Em São Paulo, existe um projeto de lei que propõe a oferta de ônibus exclusivo para mulheres. O PL 01-00719/2025 prevê que a frota venha identificada pela cor rosa e, assim como o serviço de Carapicuíba, priorize linhas de grande fluxo.
O projeto também aborda a instalação de câmeras de segurança nos veículos e a capacitação de profissionais — principalmente mulheres — para atendimentos mais adequados. Além disso, prevê integração com o Abrigo Amigo, uma rede de pontos de ônibus monitorados durante a noite, e com o Smart Sampa, o sistema municipal de videomonitoramento.
Contudo, o projeto ainda segue em tramitação nas comissões da Câmara e não foi aprovado nem implantado.