Sob o asfalto da Rua Augusta, no centro de São Paulo, existe um córrego soterrado que quase ninguém conhece: uma antiga e pitoresca queda d’água oculta pelo concreto. A história da chamada Cachoeira Avanhandava se confunde com a de tantos outros rios paulistanos, que continuam correndo escondidos debaixo de nossos pés.
Após anos esquecida, a cachoeira reaparece no imaginário da população por meio de um projeto que propõe trazer essa água de volta à superfície. Em parceria com o Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo, o Instituto Rios e Ruas é um dos agentes que lutam pelo resgate do Córrego Augusta, transformando-o em uma cachoeira urbana no coração de São Paulo.

Córrego Augusta: águas invisíveis sob a cidade
Quem passa pelo cruzamento da Avenida Paulista com a Rua Augusta nem imagina que há uma nascente escondida ali. O córrego segue praticamente todo o percurso da rua que lhe dá nome até encontrar o córrego Saracura, na altura do Viaduto 9 de Julho.
Como tantos rios de São Paulo, o córrego Augusta sofreu canalização e sepultamento no decorrer do século 20, dando lugar a ruas, avenidas e edifícios. Até sua corredeira natural, localizada na depressão entre as atuais ruas Frei Caneca e Avanhandava, acabou escondida em galerias debaixo da Escadaria Frei Caneca.
Assim, a população acabou esquecendo a Cachoeira Avanhandava por completo. No entanto, quem passa pelos degraus com um ouvido atento consegue escutar a água que corre no subsolo 24 horas por dia, 7 dias por semana, mostrando que a natureza resiste até nas profundezas de São Paulo.

Projeto propõe reabrir a Cachoeira Avanhandava
Em 2021, o Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo apresentou um projeto de reabertura de um trecho do córrego no centro de São Paulo, trazendo-o à superfície como uma corredeira natural entre as construções.
A proposta prevê intervir em uma área de 1.650 metros quadrados na bacia do Anhangabaú, criando um oásis de natureza em plena região da Augusta. Atualmente, o escritório e o Instituto Rios e Ruas seguem juntos em busca da aprovação e dos investimentos para transformar a ideia em realidade.
Embora uma intervenção como essa desafie a engenharia, ela traz a oportunidade de repensar a relação da cidade com a água. Além disso, pode ajudar a atenuar enchentes e minimizar as ilhas de calor — provando que a revitalização dos rios beneficia não apenas o meio ambiente, mas a qualidade de vida de todos os cidadãos de São Paulo.
