A notícia de que o El Niño pode voltar em 2026 deixou muitos brasileiros em alerta. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o fenômeno tem grandes chances de retornar no segundo semestre deste ano, causando impactos em diversos estados — incluindo São Paulo.
Desde o anúncio, circularam pelas redes sociais notícias sobre um “super El Niño”, que supostamente traria impactos ainda mais severos para os brasileiros. Mas calma: especialistas do INPE já explicaram que não é possível prever a intensidade do fenômeno, caso ele venha a acontecer. Ou seja, qualquer afirmação sobre um “super El Niño” em 2026 é equivocada.
Frente a um evento natural de grande magnitude, diversas informações inexatas circulam pela internet. Por isso, trazemos agora um guia tirando as maiores dúvidas sobre um possível El Niño neste ano, com base em fontes oficiais.

1) O que é o El Niño?
Trata-se de um fenômeno climático natural causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. A elevação da temperatura leva a alterações na atmosfera, as quais causam mudanças no padrão dos ventos, do clima e das chuvas em diversas partes do mundo.
No Brasil, as consequências mudam de acordo com a região:
- Sul: Maior probabilidade de chuvas acima da média, o que aumenta a chance de tempestades e enchentes;
- Norte e Nordeste: Aumento das temperaturas e redução das chuvas, levando a maior risco de secas e incêndios florestais;
- Sudeste e Centro-Oeste: Aumento das temperaturas e maior probabilidade de ondas de calor, com possibilidade de redução nas chuvas também.
Por isso, em casos de El Niño, o estado de São Paulo tem temperaturas elevadas e clima mais seco do que o normal.

2) O El Niño é causado pelo aquecimento global?
Não. Por ser um fenômeno natural, o El Niño ocorre há milhares de anos, muito antes do surgimento da humanidade.
No entanto, pesquisadores estimam que o aquecimento global torne o fenômeno mais frequente e intenso, com consequências mais extremas.

3) Haverá El Niño em 2026?
O Centro de Previsão da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), que monitora as águas do Pacífico Equatorial, estima que haja 95% de chance de o El Niño retornar no próximo semestre, perdurando até o início de 2027.
Ou seja, a probabilidade é alta, mas ainda não se pode afirmar com certeza. Também não há previsão da força do possível fenômeno, se ele viria moderado ou com alta intensidade.

4) O que fazer se houver El Niño neste ano?
Você já sabe que o fenômeno poderia trazer estiagem e altas temperaturas a São Paulo. Nesse cenário, elevam-se as chances de queda no nível das represas, prejuízo nas lavouras, risco aumentado de queimadas, piora na qualidade do ar e maior índice de doenças respiratórias.
Para minimizar os efeitos, a população pode tomar os seguintes cuidados:
- Evitar desperdício de água;
- Evitar a exposição ao sol, sobretudo em horários de pico (entre 10h e 16h), e usar protetor solar caso precise se expor;
- Beber água com frequência, mesmo se não estiver com sede;
- Usar umidificadores de ar ou colocar bacias de água com gelo em frente ao ventilador para refrescar o ambiente (mas lembre-se de não deixar água parada!);
- Não fazer queimadas nem fogueiras, e não jogar bitucas de cigarros em locais inapropriados, pois podem causar incêndios que piorariam ainda mais a qualidade do ar.
Lembre-se de estar sempre atento a pessoas dos grupos de risco (idosos e crianças) e animais, que são mais sensíveis aos impactos.

Dicas extras para se preparar para o possível El Niño 2026
#1: Envie um SMS com seu CEP para o número 40199, da Defesa Civil. Assim, você receberá avisos oficiais do órgão sempre que houver alterações bruscas no clima ou eventos de risco em sua cidade.
#2: Itens “de sobrevivência” para as altas temperaturas, como ventiladores, aparelhos de ar-condicionado, umidificadores de ar e climatizadores, costumam ficar com preços excessivamente elevados durante ondas de calor. Por isso, considere adquiri-los com antecedência para economizar na compra.
#3: Sempre busque informações em meios confiáveis, como as redes sociais oficiais do INPE e mídias transparentes (como o São Paulo Secreto!) que se baseiam nesses órgãos. Dessa forma, você não corre risco de receber notícias falsas ou sensacionalistas.