Em 2027, o MASP ganhará uma nova exposição que promete fugir da convencional mostra de obras e trazer uma retrospectiva biográfica de Vincent van Gogh. Integrando o ciclo curatorial Histórias da Loucura, a exposição abordará aspectos da carreira do pintor, transitando entre suas ideias geniais e seu sofrimento psíquico.
Com Adriano Pedrosa como diretor artístico e curadoria de Fernando Oliva, o objetivo da mostra é propor uma leitura crítica e histórica da obra do artista. E, além disso, analisar sua arte e aspectos pessoais como a crise psíquica, delírios e as concepções médicas no fim do século XIX.
Sem reduzir suas obras a diagnósticos, o seminário preparatório “Van Gogh delirante”, realizado em 2025 no museu, trouxe à tona os eixos que deverão nortear a curadoria da nova exposição.
Entre eles está a desconstrução do mito frequentemente associado a Van Gogh: a ideia do “gênio louco”. A mostra trará cartas escritas pelo pintor, revelando seus métodos, preocupações e relações. Além de focar nas crises vividas por ele, sua saúde mental e sua disciplina no trabalho.
O público também poderá conferir retratos, paisagens e memórias do pintor, em uma abordagem que estimula discussões sobre a falta de consenso histórico quanto às explicações clínicas da trajetória de Van Gogh.
O acervo da Exposição de Van Gogh no MASP

Ainda sem um checklist oficial de obras, não há como detalhar o acervo que será exposto, nem a origem ou os empréstimos internacionais. Inclusive, há indícios de que a mostra vem sendo planejada desde 2018, justamente por conta de negociações complexas que costumam demorar para ser concluídas.
No entanto, considerando que o MASP possui quatro pinturas originais de Van Gogh, podemos prever a presença delas na exposição do ano que vem. Pintadas entre 1888 e 1890 em Arles e, posteriormente, durante sua internação em Saint-Rémy, na França, as obras são:
- O escolar (1888): Pintada em Arles, a obra faz parte de um período em que Van Gogh experimentava e explorava a intensidade cromática.
- Banco de pedra no asilo de Saint-Rémy (1889): Feita durante sua permanência no asilo de Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-Rémy-de-Provence.
- Passeio ao crepúsculo (1889–1890): Também produzida durante a internação em Saint-Rémy.
- A arlesiana (1890): Retrato de Marie Julien Ginoux, dona do Café de la Gare, em Arles. A tela integra o acervo do MASP desde 1954.
Aliás, existem outras versões de A arlesiana espalhadas por Nova York, Roma, Otterlo e Países Baixos. A versão abrigada pelo MASP é a pintura com a qual Van Gogh presenteou Paul Gauguin, autor do desenho no qual a obra se baseia, sendo considerada uma “obra conjunta” dos artistas.