Restaurado pela prefeitura, esse prédio histórico do século 20 é, atualmente, a moradia de artistas idosos. Localizado no Centro, o Palácio dos Artistas levou mais de uma década para se transformar no que conhecemos hoje.
Destinado a artistas com mais de 60 anos, sejam eles aposentados ou ainda trabalhando, o residencial de locação popular contempla pessoas com renda de um a três salários mínimos. O edifício atualmente pertence ao poder público e participa de programas de habitação popular.
Muito mais que moradia, o palacete oferece serviços de saúde básica aos residentes, como enfermagem, fisioterapia e odontologia. Além de locais para lazer, horta, refeitório, lavanderia comunitária e áreas coletivas.

Com cerca de 50 quitinetes e 60 artistas residentes, o prédio tem a fama de ser a “casa dos artistas” da velha guarda de São Paulo.
A ideia veio de uma bailarina, que trouxe o conceito da Europa e apresentou à prefeitura. Antes de receber os idosos, o prédio passou por obras para manutenção e melhorias na infraestrutura, que prioriza o cuidado e o caráter comunitário.
O passado como Hotel Cineasta

O antigo Palacete Antônio Caldeira inaugurou em 1910 e abrigou, inicialmente, famílias da elite. Pouco depois, em 1930, passou a se chamar Palacete Santa Cruz e manteve o uso residencial. Foi somente em 1950 que passou por grandes reformas para se adaptar à sua nova versão: o Hotel Cineasta.
O nome remete à onda da “Cinelândia”, época marcada pela intensa vida noturna paulistana e, claro, os cinemas. O hotel funcionou por cerca de 50 anos, recebendo pessoas ligadas ao cinema, teatro e as casas de show do centro da cidade. Ou seja, o local sempre foi uma casa de artistas!
Por fim, o hotel fechou em 2001 e sofreu com o abandono até 2010, época em que foi ocupado por movimentos de moradia. A prefeitura desapropriou o imóvel em 2011, quando o incluiu no Programa Renova Centro, inaugurando o Palacete dos Artistas no fim de 2014.
Quem mora no Palacete dos Artistas?
O imóvel abriga artistas de áreas diversas, desde músicos, dançarinos, artistas de circo, do teatro e da TV, inclusive profissionais dos bastidores técnicos.
Portanto, para residir no palacete, os idosos precisam comprovar vínculos com sindicatos, associações ou entidades envolvidas na defesa dos direitos dos artistas.
A primeira leva de moradores incluíam nomes como os cantores Roberto Luna e Raimundo José, o diretor Sebastião Apolônio e a saudosa atriz Vic Militello.