Inaugurada em 1922, a Estrada dos Romeiros (SP-312) carrega história em cada quilômetro de sua extensão. Além de ter sido uma das primeiras rodovias pavimentadas no Brasil, ela ainda teve um papel importante na migração de indígenas e bandeirantes, servindo também como importante rota para transportar café e açúcar.
Os bandeirantes, que dão nome às principais rodovias de São Paulo, como a Anhanguera e a Raposo Tavares, foram os principais responsáveis pelo desbravamento de estradas como a dos Romeiros. Apesar de seus méritos e feitos, os bandeirantes foram protagonistas de um capítulo infeliz na nossa história: como não possuíam riquezas o suficiente para serem donos de escravizados negros, escravizaram e tomaram territórios indígenas.
A herança indígena das cidades na Estrada dos Romeiros
Muito antes da chegada dos Bandeirantes, os povos nativos já habitavam o local que conhecemos hoje como a Estrada dos Romeiros. A região mantém os nomes de origem Tupi até hoje, revelando sua herança cultural e a história que nem mesmo o tempo foi capaz de mudar.
- Santana de Parnaíba: “Santana” é uma homenagem a Santa Ana, a padroeira da cidade, já o “Parnaíba”, vem do tupi: Rio de difícil navegação, ligado ao Tietê.
- Itu: Do tupi: Cachoeira, o nome faz alusão às famosas quedas d’água da região.
- Pirapora do Bom Jesus: Vem da junção de Pirá, que significa Peixe e Pora, que significa Pulo, resumindo: “Pulo do peixe”, o nome faz referência aos peixes que pulavam nas corredeiras do Rio Tietê. Já o Bom Jesus é uma referência a uma imagem de madeira do padroeiro da cidade, encontrada no rio Tietê.
O progresso e a modernização da rodovia

Washington Luís, o então governador de São Paulo, era um grande apoiador da construção de estradas. Para ele, investir na malha rodoviária ajudaria a baratear o transporte de café da capital ao interior por meio de estradas. Seu plano era colocar o estado paulista no topo da economia nacional.
O governador fez questão de acompanhar as obras de perto. Priorizou a pavimentação e manutenção, além de focar na revitalização dos antigos caminhos importantes historicamente, construindo mirantes para contemplação do Rio Tietê. Tudo isso utilizando-se da antiga narrativa bandeirense, que na história também visava o progresso e descobriu a Estrada dos Romeiros anos antes de sua inauguração.