A Estrada Velha de Santos, também chamada de Rodovia Caminho do Mar (SP-148), é um dos trajetos históricos mais importantes de São Paulo. Abriga patrimônios da época imperial e republicana, tendo trechos da Mata Atlântica e mirantes com vista para a Baixada Santista.
Antes de a estrada existir, o percurso fazia parte de trilhas indígenas e, em 1792, se tornou a Calçada do Lorena. Foi a primeira via pavimentada com pedras da serra, usada para escoar o açúcar pelo Porto de Santos. Também foi o caminho por onde Dom Pedro I subiu rumo ao Ipiranga, antes de declarar a Independência do Brasil.
A estrada que conhecemos hoje, porém, foi construída em 1840 e inaugurada pelo imperador Dom Pedro II. Recebeu inicialmente o nome de Estrada da Maioridade, em referência à emancipação antecipada do monarca para que pudesse assumir o trono aos 14 anos.

O traçado foi pavimentado em 1920, tornando-se a primeira estrada da América Latina a receber a melhoria. No entanto, com a inauguração da Rodovia Anchieta em 1947, o Caminho do Mar perdeu seu protagonismo e se tornou uma rota secundária. Veio daí o nome de Estrada Velha de Santos.
Em 1985, a rota fechou para veículos comuns, permitindo apenas veículos de serviço e a visitação a pé. O trecho só foi reaberto em 2002 dentro do Parque Caminhos do Mar, para visitação ecoturística. A estrada mantém o pavimento original na maior parte do trajeto, que totaliza 8 quilômetros de extensão.
A estrada também serviu de inspiração para Roberto Carlos na música “As Curvas da Estrada de Santos”, de 1969. A canção fala sobre as curvas sinuosas da descida para o litoral, reforçando o imaginário de quem não teve oportunidade de dirigir por elas.
Os principais pontos e monumentos da Estrada Velha de Santos
Belvedere Circular

O mirante em formato de anel simboliza a transição entre o caminho de pedra da era colonial e a estrada moderna de 1920.
Construído com tijolos e pedras, com um guarda corpo projetado para o vale. É, além de um marco importante da estrada, uma parada obrigatória! Afinal, tem vista para o mar, para as cidades litorâneas e para as rodovias dos Imigrantes e Anchieta.
Calçada do Lorena e Padrão do Lorena

Idealizado por Bernardo José Maria de Lorena, é o trecho mais antigo da região. A via de pedras foi construída em 1792 e era o caminho usado para levar o açúcar do interior ao Porto de Santos. Foi o traçado usado por indígenas e Dom Pedro I, tornando-se um trecho histórico importante.
Já o Padrão do Lorena é comemorativo. Abriga a antiga lápide de inauguração da calçada, próximo ao Monumento do Pico, no ponto mais alto da estrada. Pisar ali é, literalmente, pisar sobre a pavimentação do século 18 e ter um gostinho do que era no passado.
Rancho da Maioridade

Construído no século 19 como parada de descanso, o rancho era um dos “pousos” de apoio pela serra. Com abrigo, lugar para refeições e parada para veículos e animais.
Atualmente está em ruínas e só restaram as paredes, bases de alvenaria e alguns detalhes da antiga arquitetura. É um monumento tombado pelo CONDEPHAAT e um ponto interessante para fotografias, apesar da estrutura em decadência e a mata alta do local.
O que fazer na Estrada Velha de Santos?

Além de visitar todos esses marcos históricos, a estrada oferece um forte ecoturismo. Com trilhas, cachoeiras e atividades de aventura leve. além de trechos de observação da natureza.
Outra atração é a tirolesa “Voo da Serra”. A experiência nos permite sobrevoar o trecho entre São Bernardo do Campo e Cubatão em apenas 60 segundos, com vista da mata e da baixada.
No caminho da Estrada Velha, fica ainda o Pouso de Paranapiacaba, monumento que abriga atualmente o Café 1922. Um charmoso casarão com tijolos pintados a mão e culinária portuguesa imperdível!