Que São Paulo tem um circuito de arte de tirar o fôlego você já sabe. Agora, imagina poder conferir uma nova exposição nas ruínas do Ramos, em pleno Centro Histórico? “Apocalipse”, do artista Alex Flemming, chega aos conhecidos Palacetes da Sé com entrada gratuita.
A exposição, que estreou ontem, 9 de agosto, ocupa o prédio da Rua Roberto Simonsen, construído em 1919 e projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo.
O local que antes abrigava uma policlínica e a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, hoje se tornou uma grande ocupação artística após cerca de 85 anos sem uso regular. Além do palacete imponente, a construção também inclui um charmoso palacete anexo datado de 1910, este projetado por Giuseppe Sacchetti.
Mantendo as marcas do tempo, o prédio ainda preserva características únicas, como os tijolos aparentes, paredes com tintas descascadas, infiltrações e, principalmente, os pisos e vitrais centenários. Até mesmo a cabine do elevador antigo foi mantida!
Para Alex Flemming, responsável pelas obras da nova exposição, o estado atual do imóvel contribui para a proposta de “Apocalipse”.
Segundo o artista, o aspecto de abandono cria uma espécie de conexão com o tema discutido. Afinal, as ruínas locais se mesclam à ideia de que o abandono também pode ser considerado um “fim do mundo”.
Assim, a escolha do espaço faz referência a outras exposições que Flemming visitou em Berlim, instaladas em edifícios bombardeados e em bunkers.
“Apocalipse”, a nova exposição nas ruínas do Ramos

A mostra utiliza cerca de 37 grandes pinturas para proporcionar uma experiência imersiva, com o próprio imóvel servindo como um elemento decisivo da obra. Portanto, a exposição é mais ambiental, levando o visitante a explorar os cômodos e as criações.
Além disso, o percurso narra uma história: começa pela série “Retratos Invisíveis”, que retrata seres humanos transparentes e coloridos, e vai até a impressionante “Apocalipse”, que retrata cenas de destruição.
Ao todo, a exposição constrói uma forte narrativa, que contrasta temas como vida, desejo e morte.
Flemming se inspirou após acompanhar notícias dos atentados no Bataclan, em Paris. Desde então, passou a pintar monumentos famosos como a Tower Bridge, Notre-Dame e a Mesquita Azul em cenários de destruição e colapso.
A série começou a ganhar forma em 2015, com o objetivo de propor reflexões sobre a fragilidade da nossa civilização, a intolerância e a perda de noção de convivência coletiva.
O conceito dialoga com os deuses Eros e Tânatos, trazendo sensualidade, vida, desejo, declínio e transformações nas pinturas que seguem a tradição renascentista e pré-renascentista.
Visite a exposição!
A mostra “Apocalipse”, de Alex Flemming, é uma das melhores opções de exposições gratuitas em sp. Funciona diariamente, das 11h às 16h, e vai até 30 de agosto.
É uma temporada curta, portanto programe-se para não perder!
A visita aproveita a luz do dia para funcionar, já que o prédio histórico não possui iluminação elétrica em alguns ambientes. Aliás, a luz natural também participa da exposição ao alterar a percepção das pinturas metálicas conforme é iluminada ao longo do dia.