Você fazia ideia de que o extremo sul de São Paulo esconde uma herança espacial impressionante? A Cratera de Colônia surgiu após a colisão de um meteorito gigante há milhões de anos, fazendo com que a capital paulista abrigue um fenômeno geológico raríssimo.
Localizada em Parelheiros, a Cratera de Colônia surpreende por suas grandes dimensões. Hoje, o espaço abriga um parque natural e parte do bairro Vargem Grande, sendo uma das únicas formações desse tipo com habitação humana.

Era uma vez um meteorito em São Paulo…
Estima-se que a depressão surgiu entre 5 e 36 milhões de anos atrás, quando um meteorito de 200 metros colidiu com o planeta. O impacto formou uma bacia de 3,6 quilômetros de diâmetro e acumulou, ao longo dos milênios, uma camada de sedimentos com 400 metros de profundidade. Além disso, as bordas da cratera alcançam 120 metros de altura!
Cientistas descobriram o fenômeno na década de 1960 por meio de fotografias aéreas e, mais tarde, imagens de satélite. Até hoje, os pesquisadores catalogaram apenas 70 estruturas desse tipo no mundo inteiro, e a cratera de São Paulo é a mais próxima de um centro urbano.
Por isso, em 2009, a área foi declarada um monumento geológico. Atualmente, milhares de pessoas vivem dentro da cratera, que abriga até mesmo a Penitenciária de Parelheiros.
Parque Natural Municipal resguarda a biodiversidade da Cratera de Colônia
Em 2007, a Prefeitura de São Paulo inaugurou o Parque Natural Municipal da Cratera de Colônia. Com cerca de 53 hectares de extensão, a unidade de conservação protege fragmentos de Mata Atlântica e campos de várzea indispensáveis para a capital. Um exemplo é a várzea do Ribeirão Vermelho, que deságua na Represa Billings e ajuda a garantir o abastecimento da metrópole.
O parque se destaca pela riqueza biológica praticamente isolada, a 35 quilômetros do centro paulistano. Biólogos já documentaram 211 espécies de plantas, incluindo flora ameaçada, como os cedros e o palmito-jussara. A mata abriga ainda mais de 240 espécies de animais, entre o grimpeiro, o sapo-de-chifres e o sagui-da-serra-escuro.
Embora muitos paulistanos tenham curiosidade de conhecer o local, o Parque Natural da Cratera de Colônia não recebe o público geral. Como se trata de uma unidade de conservação integral, a prefeitura restringe o acesso a grupos de estudo acadêmico e pesquisa ambiental.
Interessados em realizar expedições científicas no parque devem agendar a visita com antecedência junto à Divisão de Gestão de Unidades de Conservação (DEUC) pelo telefone (11) 5187-0321.
