No horário de pico, os ônibus de São Paulo andam mais devagar do que galinhas. Parece piada, mas acredite: um levantamento da SPTrans a pedido da Folha de S. Paulo aponta que a velocidade dos coletivos cai para até 12,37 km/h no rush da tarde. Uma galinha, a título de comparação, alcança 14,5 km/h.
O dado expõe uma rotina bastante conhecida por quem depende do transporte público. Nessa velocidade, um ônibus percorre cerca de 12 quilômetros em uma hora — sem considerar o tempo de espera no ponto e as transferências. Isso significa que, para milhares de paulistanos, o deslocamento pela cidade é uma prova de resistência.
Por outro lado, de madrugada a velocidade se aproxima de 29 km/h. Em outras palavras, o problema não está nos ônibus em si, mas na falta de prioridade ao transporte público no espaço urbano.

Devagar se vai longe?
A pesquisa que comparou dados da SPTrans mostra que o pior momento para os ônibus de São Paulo ocorre às 17h das quartas-feiras. Nesse horário, a média de 12,37 km/h é mais lenta do que a de patinetes elétricos (limite de 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas), abelhas (25 km/h) e lagartos (29 km/h).
A baixa velocidade aumenta o tempo de viagem, o que consequentemente diminui a produtividade da frota: é preciso mais ônibus e mais motoristas para manter a oferta do serviço. Ou seja, o trânsito lento aumenta os custos operacionais do sistema, pesa no orçamento público e afeta a rotina de quem depende exclusivamente do transporte público em SP.

Como fazer os ônibus de SP andarem mais rápido?
Nem tudo está perdido: o levantamento da SPTrans também indica que a performance do coletivo melhora em faixas e corredores exclusivos. Neste caso, a velocidade sobe para até 20 km/h no horário de pico.
Por isso, uma solução é devolver espaço aos ônibus. Em Curitiba, por exemplo, o sistema de BRT (Bus Rapid Transit, “transporte rápido por ônibus”) permite que a população se desloque com mais agilidade, escapando dos congestionamentos em momentos de trânsito intenso. Em linhas expressas com menos paradas, por exemplo, a velocidade pode chegar a 24 km/h.
O BRT Radial Leste será o primeiro do modelo em São Paulo e tem previsão de inauguração ainda em 2026. O modal ligará o Terminal Parque Dom Pedro II à Estação Penha do Metrô, na Zona Leste, por um corredor exclusivo que promete diminuir o tempo de viagem em até 50%. Será que, em breve, os coletivos paulistanos ganharão a corrida contra as galinhas?
Confira o levantamento completo no site da Folha de S. Paulo.
