São Paulo tem em sua história clubes de convivência icônicos, que fazem parte da nossa memória afetiva e causam nostalgia em várias gerações. Entre os mais emblemáticos está o Clube Esperia, que acompanhou as transformações urbanas que a cidade sofreu desde o século 19.
Fundada em 1899, a Societá Italiana di Canottieri (Sociedade Italiana de Remadores, em português) nasceu em uma chácara alugada antes de se assentar em sua real sede. Eram sete jovens italianos que queriam praticar remo nas águas um dia limpas do Rio Tietê. No passado, às margens do rio eram o cenário de atividades esportivas ao ar livre ou apenas uma boa paisagem para piqueniques em família.
A evolução da estrutura e a expansão do Clube Esperia
A história da associação se resume a superação. Em 1903, para prevenir as inundações causadas pelas cheias, aterraram o terreno localizado na margem oposta do rio com uma carroça e um burro. Todo o trabalho manual garantiu que a sede definitiva permanecesse no endereço por mais de um século, reafirmando a presença da colônia italiana na região.
Anteriormente, o clube se chamou Associação Desportiva Floresta por implicações durante a Segunda Guerra Mundial, porém, em 1970 retornou ao seu nome original. Esse período foi marcado por sua era de ouro, com o passar do tempo o clube se tornou inclusivo e passou a atender outros públicos, além dos imigrantes.
Chegou a alcançar a marca memorável de 20 mil associados, que tinham à disposição uma infraestrutura robusta que servia para a prática de diversas modalidades esportivas.
Do remo no Tietê à modernidade da Raia Olímpica

Com a construção da Marginal Tietê, as competições de remo precisaram mudar de endereço, passando a acontecer na Raia Olímpica da USP. A despedida marcante aconteceu no ano de centenário do clube, em 1999. A icônica regata de 250 metros foi realizada de forma simbólica pela última vez no Tietê, com equipamentos de proteção contra a poluição.
Atualmente, o local abriga um gigante do lazer e do esporte em São Paulo, mantendo assim sua relevância de sempre. A área de 80 mil metros quadrados possui bibliotecas, brinquedotecas, pistas de atletismo e, claro, piscinas.
Coisa para fazer é o que não falta, desde ginástica rítmica, tênis, vôlei até mesmo esportes mais diferenciados, como arco e flecha. A herança dos remadores italianos permanece viva no endereço e, como sempre, evoluiu com os novos tempos.