Se engana quem diz que não existe viagem no tempo: Bananal, no interior de São Paulo, nos transporta diretamente para a época do Brasil Império! Essa charmosa cidade do Vale do Paraíba é um museu a céu aberto, guardando as riquezas que o ciclo do café trouxe para a região.
Durante a visita, turistas podem caminhar por ruas de pedra e se deparar com magníficos casarões do século 19, além de paisagens rurais que mais se parecem cenários clássicos de novela.

O que fazer em Bananal?
Roteiro pelo Centro Histórico
Se você ainda não sabe o que fazer em Bananal, prepare-se: são tantas atrações que será difícil escolher a sua preferida! Você pode começar explorando o Centro Histórico, mais precisamente a Praça Pedro Ramos. Lá, você encontra o Chafariz de Ferro de 1879, que antigamente abastecia a população, e um belíssimo coreto preservado. Logo em frente está a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Livramento, construção em taipa de pilão de 1811.
Além disso, ao caminhar pela região central você encontrará a Pharmacia Popular, que ostenta o título de a mais antiga ainda em funcionamento no país. Inaugurada em 1830 pelo francês Tourin Domingos Mosnier, ela se chamava inicialmente Pharmacia Imperial, mas trocou para o nome atual após a Proclamação da República. Quase 200 anos depois, a fachada, as portas e o piso do imóvel continuam originais.
Fazendas que você precisa conhecer
Depois de explorar o Centro, siga para o campo para conhecer as fazendas históricas da região. Algumas propriedades oferecem visitas guiadas, como as fazendas Loanda, Resgate e dos Coqueiros.
Na companhia de monitores especializados, o público conhece as antigas instalações cafeeiras. É uma oportunidade para ver de perto mobílias, utensílios e objetos originais que pertenceram à elite rural da época.

Você sabia que Bananal já teve até moeda exclusiva?
Toda essa herança arquitetônica reflete o grande poder financeiro que a cidade alcançou no passado. Para se ter uma ideia, Bananal era tão rica que não havia moeda nacional o suficiente para cobrir o fluxo local de pagamentos. Por isso, a elite cafeeira conseguiu autorização do Império para cunhar uma moeda própria, que circulava até em negócios do Rio de Janeiro.
No entanto, esse poderio econômico escondia uma realidade cruel: a riqueza dos barões dependia da mão de obra escravizada. Por isso, quando o Brasil assinou a abolição da escravatura, os negócios começaram a se complicar. Com a posterior queda do café no mercado internacional, a cidade entrou em declínio e os luxos ficaram no passado.
De qualquer forma, as construções centenárias mantêm viva a história bananalense. Elas guardam a memória tanto das festas da elite quanto das pessoas escravizadas, cujo trabalho árduo elevou Bananal a uma das cidades mais ricas do país.