Itapura é o destino perfeito para descobrir o Rio Tietê de um jeito totalmente diferente, longe dos clichês da capital. Apesar da degradação que vemos em São Paulo, o curso d’água mais famoso do estado ganha outra cara quando chega ao interior: depois de nascer em Salesópolis e cruzar mais de 1100 quilômetros, o rio encontra seu fim em Itapura, na divisa com o Mato Grosso do Sul.
A cidade fica a 670 quilômetros da capital, mas seus belos cenários compensam a distância: águas limpas, mata preservada e uma fauna rica, repleta de peixes e pássaros. Assim, Itapura é imperdível para quem deseja explorar o interior de SP e, ao mesmo tempo, viver experiências de turismo náutico e mergulho ainda pouco conhecidas pelo público.

Povoado surgiu em meio à Guerra do Paraguai
A história do município começa em 1858, quando o Império do Brasil criou a Colônia Militar de Itapura. Sua posição estratégica na foz do Rio Tietê, próxima ao Rio Paraná e à fronteira paraguaia, visava a proteção do território nacional, especialmente durante a Guerra do Paraguai (1864⎯1870).
A localização também se destacava por outro motivo: abrigava os saltos de Itapura e de Urubupungá, grandes cachoeiras no Tietê que funcionavam como barreiras naturais e auxiliavam no controle do tráfego fluvial. Dessa forma, Itapura cresceu em meio a um cenário militar, com forte influência dos corpos d’água.
Tudo mudou nos anos 1960, com a construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá. As obras fizeram com que parte do território de Itapura ficasse submersa, incluindo a antiga vila e os saltos que embelezavam a paisagem. Surgiu, então, uma nova cidade, enquanto o antigo povoado se transformou em ponto histórico de mergulho.
O que fazer em Itapura: foz do Rio Tietê, mergulho e naufrágio
Atualmente, Itapura é um refúgio de natureza e aventura no interior de São Paulo. O município faz parte do “Pantanal Paulista” e oferece atividades como pesca esportiva, banhos refrescantes em cachoeiras, além de observação de tucanos, araras e garças.
A cidade também oferece um dos roteiros de turismo subaquático mais curiosos de São Paulo. Nos lagos da Usina de Jupiá, é possível visitar ruínas de casas e da usina hidrelétrica Eloy Chaves, assim como os saltos submersos.
O grande destaque, porém, vai para o navio a vapor Tamandathay, comprado por Dom Pedro II em 1860. A embarcação militar naufragou próximo à foz do Rio Tietê em 1883 e hoje repousa a 20 metros de profundidade. Suas ruínas integram os roteiros de mergulho da região, permitindo que os turistas explorem um autêntico naufrágio histórico.