O ano já está acabando e, desde julho de 2026 as consequências e as previsões do pico do El Niño já começaram a ser sentidas pelo Brasil.
Em São Paulo, a imprevisibilidade das condições climáticas trazendo calor extremo e chuva irregular trazem à tona uma preocupação antiga do povo paulistano: a recuperação do sistema Cantareira.
A lógica é bem simples: se os dias mais quentes aumentam, o consumo de água também sobe. Logo, existe o risco de maior evaporação das represas e do solo. Mesmo que nos próximos meses chova de maneira irregular, o volume pode não conseguir repor o nível com eficiência.
Além disso, as pancadas de verão, mesmo que intensas, podem ser bem desiguais entre as regiões, com chuva forte em um lugar e pouca quantidade em outro. Por outro lado, o cenário se complica se os dias de chuva vierem acompanhados de longos períodos secos.
Esse mecanismo ocorreu entre 2025 e 2026, quando os sistemas de alta pressão dificultaram a permanência de áreas de instabilidade. Isso impediu os dias de chuva abrangentes, que eram precisos para regularizar os reservatórios na época.
Como o El Niño pode influenciar o sistema hídrico?

Em abril de 2026, meteorologistas já expressavam preocupação com o calor e com a retomada da estação chuvosa relacionada ao fenômeno do El Niño. Mais recentemente, em setembro, o Climatempo passou a descrever os efeitos como muito fortes e a prever seu fortalecimento para o mês de outubro.
Embora as previsões apontassem para chuva acima da média em boa parte do Sudeste, como na região de São Paulo e no Sul, o alerta que se acende também está relacionado às ondas de calor.
Em previsões recentes para o mês de outubro, o Climatempo apontou que havia uma influência da Oscilação Antártica favorecendo a passagem de frentes frias no começo do mês.
Isso mostra que, apesar de ter muita influência nas condições climáticas, o El Niño sozinho não modula a chuva em escalas de dias e semanas.
As oscilações do sistema Cantareira

Em março de 2026, o volume do sistema estava em 42,7%, terminando o verão no menor nível em dez anos por conta de um período mais seco.
O resultado, porém, não surpreendeu. Pois, segundo registros, o armazenamento já vinha baixo nos dois verões anteriores. E pesar de não ser considerado um problema imediato, ainda faltava uma reserva de segurança.
Já nos últimos meses houve uma queda seguida de recuperação. Segundo o Cemaden, agosto terminou com aproximadamente 33% do volume útil. Já setembro encerrou com cerca de 41%, com a chuva correspondendo a 342% da média histórica do reservatório.
O ganho registrado foi de aproximadamente 8 pontos percentuais no mês.
Em outubro, segundo a Sabesp, o Cantareira registrou 44,4% de volume útil no dia 15, após atingir 44,3% o maior patamar em 15 meses. A recuperação, no entanto, pode não se sustentar até março de 2027.
O boletim do Cemaden de 2 de outubro alertou que precipitações abaixo da média de janeiro a março de 2027 poderiam reduzir novamente as vazões afluentes e o armazenamento.
As previsões, porém, são condicionais. Portanto, não significa que isso levará a uma nova crise, apenas que a trajetória de recuperação pode perder força ou se inverter no futuro.