Em plena Avenida Doutor Arnaldo, na Zona Oeste da capital, um imóvel discreto preserva parte da história da arte brasileira. Estamos falando do casarão de Tarsila do Amaral, no número 925, que pertenceu à pintora modernista durante seu casamento com o escritor Oswald de Andrade.
Há boatos de que Tarsila teria pintado sua obra mais célebre, Abaporu, no local. Por isso, o casarão é considerado um marco cultural da cidade.

Conheça a história do “casarão de Tarsila do Amaral”
Originalmente, o imóvel integrava a Chácara Água Branca dos Pinheiros. Construído em 1920, ele pertencia à família de Oswald de Andrade e se tornou propriedade da pintora em 1926, quando ambos oficializaram a união.
Naquela época, Tarsila do Amaral vivia uma fase especialmente criativa de sua carreira. Ao lado de Oswald e de artistas como Anita Malfatti, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia, ela integrava a rede intelectual que pensava o Modernismo e o Movimento Antropofágico no Brasil.
Tanto é que, em 1928, a artista pintou Abaporu como presente de aniversário para o então esposo. Embora não haja registros comprobatórios, é possível que Tarsila tenha trabalhado na tela — que, mais tarde, se tornaria um ícone da arte nacional — enquanto vivia no casarão.

Da crise financeira ao centro de saúde
O vínculo do casal com o casarão chegou ao fim durante a crise econômica de 1929. Com o colapso da Bolsa de Nova York e seus efeitos na cafeicultura paulista, a situação financeira da família de Andrade se deteriorou. Além disso, historiadores afirmam que Oswald era um jogador e teria perdido a fortuna da família em apostas.
Para quitar as dívidas, Tarsila e o esposo transferiram a posse do casarão para o Governo de São Paulo. A partir daí, a propriedade se tornou parte da Faculdade de Saúde Pública e sediou o primeiro Departamento de Profilaxia da Lepra de São Paulo e, mais tarde, a Policlínica da Capital.
Atualmente, o endereço abriga o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza (CSEGPS) da USP. Dessa forma, o casarão de Tarsila do Amaral se transformou em um espaço de pesquisa, ensino e assistência à população. O edifício é patrimônio estadual desde 2005, mantendo a área externa, as janelas, o piso e as escadas originais.
Embora o casarão de Tarsila não funcione como um museu, há outras formas de celebrar a trajetória e o legado da artista em São Paulo. Uma opção é visitar a exposição imersiva “O Brasil de Tarsila“, em cartaz até 31 de outubro no Nubank Art Lab, no Conjunto Nacional.
Você poderá experienciar mais de 70 obras da artista de forma totalmente nova. Com projeções de 360 graus, sons, aromas e recursos interativos!