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Cultura O Que Fazer

Viagem no tempo: conheça a Vila Itororó

Giulia Trecco Giulia Trecco - Editora | São Paulo Secreto

vila itororó

O conjunto arquitetônico, erguido no início do século XX no centro de São Paulo, é um símbolo das mudanças da cidade no decorrer dos anos.

No coração da cidade, entre os bairros da Liberdade e a Bela Vista, a Vila Itororó foi erguida. O conjunto arquitetônico foi idealizado por Francisco de Castro em 1922, com mais de dez edificações construídas ao longo do século XX para fins residenciais e de lazer.  O terreno, localizado no número 265 da Rua Martiniano de Carvalho, é composto por um palacete e 37 casas.

Construída entre 1922 e 1929, com topografia irregular e sem um estilo arquitetônico definido, tornou-se um exemplo do surrealismo na arquitetura. Leões, estátuas e as colunas de estilo romano chamavam (e ainda chamam) a atenção dos paulistanos.

A Vila leva este nome por causa do Riacho do Itororó que, hoje canalizado, percorre seu curso abaixo da Avenida 23 de Maio. Na época, a água do rio servia para abastecer a piscina da vila, considerada a primeira piscina privada da cidade.

De um começo luxuoso e a frente do seu tempo, aos poucos a Vila Itororó começou a entrar em declínio. Já na década de 1940 foi invadida e começou a transformar-se em um cortiço. Anos depois, encontrava-se em processo de degradação.

 

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As origens da Vila Itororó confundem-se com a história das artes cênicas de São Paulo. No local onde hoje existe o Shopping Light, no Vale do Anhangabaú, havia antes o Theatro São José, que foi demolido em 1924. Nesta mesma época, um descendente de portugueses e empreiteiro chamado Francisco de Castro teve a ideia de usar boa parte do que sobrou da demolição daquele teatro para construir a primeira vila urbana de São Paulo, a Vila Itororó, que foi a primeira obra de engenharia brasileira a usar material reciclado. O surrealismo eclético da obra chamou imediatamente a atenção dos moradores da cidade, pois esculturas de dois Leões da babilônia guardavam a entrada da mansão, assim como outros diversos adornos trazidos do teatro e as colunas de estilo romano, que sustentam as casas também. Há no palacete principal vitrais circulares com antigos brasões da época do Império Brasileiro. A vila foi inaugurada em 1922 e continuou a ser construída até 1929, sendo composta por um palacete principal de quatro andares e 34 cômodos. Além disso, em volta foram construídas 14 casas e 4 prédios assobradados para locação, que geravam renda para o proprietário. Todo esse conjunto arquitetônico foi feito em uma área de 4.500, no bairro do Bixiga / Bela Vista. O nome vem do Riacho Itororó, atualmente canalizado abaixo da Avenida 23 de Maio, que na época abastecia a piscina da vila. A piscina particular também era inédito por aqui naquele tempo e gerou muito falatório. A vila era considerada elegante e abrigou diversos bailes e festas, com direito a orquestras e muita dança, pois Francisco de Castro conseguiu estabelecer boas relações com a elite paulistana da época e muitos frequentavam a vila. Ele porém se afundou em dívidas e seu patrimônio foi tomado por credores… na década de 30 começou a ser invadido e acabou se tornando com o tempo um grande cortiço, mas ainda tenho esperança de que nossa cidade termine o projeto de restauração desta incrível construção, ainda mais depois do tombamento em 2005 pela CONDEPHAAT e da declaração de utilidade pública pela prefeitura em 2006. Texto: Erika Schemann – guia de Turismo alemão e inglês #saopaulobyguides #vilaitororo #patrimonio

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A restauração da Vila Itororó

De acordo com a associação que hoje é responsável pela manutenção do espaço (em parceria com a Prefeitura de São Paulo), a primeira proposta de intervenção no espaço nasceu em meados dos anos 1970. Os arquitetos Benedito Lima de Toledo, Claudio Tozzi e Décio Tozzi, junto à curadora Aracy Amaral e ao paisagista Burle Marx propuzeram um novo olhar sobre esse conjunto de imóveis auto-construídos. Desta forma, reconhecendo assim a importância cultural deste tipo de bens que até então não costumavam ser valorizados pelos órgãos de patrimônio.

A proposta de uso pretendia transformar o local num polo artístico, gastronômico e turístico. Despertou uma controvérsia acirrada entre arquitetos, moradores, movimentos sociais e órgãos de patrimônio, entre outras razões, pelo fato de não levar em conta o destino dos então moradores da Vila.

Desde 2006, quando área foi declarada de utilidade pública pela prefeitura, a Vila Itororó passou por processos de realocação dos moradores que ainda lá viviam e restauro do local. O projeto prevê a criação de um polo cultural e gastronômico. Levando, assim, a população a conhecer a história dessa obra e, também, do centro de São Paulo.

Foto de capa: Vila Itororó – Canteiro Aberto