Comer sushi em pé pode parecer apenas mais uma experiência curiosa em São Paulo, mas no Japão essa prática tem nome e muita história. E bastaram alguns minutos no Standing Sushi Bar, em Pinheiros, para entendermos que a ausência de banquetas é só uma pequena parte da experiência.
A casa foi pioneira no Brasil ao apostar no tachigui sushi, modelo tradicional japonês em que o cliente come em pé no balcão, diretamente diante de quem prepara cada peça. A ideia remete às próprias origens do sushi como comida de rua e privilegia refeições mais rápidas, informais e, principalmente, a conversa com o itamae, o chef mestre do balcão.
Fomos conhecer a experiência em uma noite especial, durante uma colaboração com a chef Rhaiza Zanetti, do Miyabi, e ocupamos justamente o lugar que consideramos mais interessante da casa: o balcão. Entre pratos criados especialmente para o jantar e sucessos do menu regular, saímos com duas certezas: o custo-benefício nos surpreendeu e voltaríamos tranquilamente só para passar a noite pedindo hand rolls.

Por que vale comer em pé no Standing Sushi Bar?
É no balcão que a proposta realmente faz sentido. Durante nossa visita, o chef Rodrigo Santos foi apresentando os peixes e explicando o que chegava diante de nós enquanto montávamos a refeição praticamente peça por peça.
E existe uma vantagem objetiva em escolher esse lugar: os hand rolls são exclusivos do balcão. Eles são preparados e entregues diretamente pelo itamae para que a alga chegue às mãos do cliente ainda crocante, sem nem passar pelo garçom.
A casa também trabalha de uma maneira interessante com os pescados. Em vez de apostar no onipresente salmão de criação, prioriza peixes brancos e azuis, inclusive espécies provenientes da pesca no litoral brasileiro, que passam por maturação para desenvolver sabor e textura.

Fomos em noite de collab, e queríamos repetir alguns pratos imediatamente
Tivemos sorte de escolher justamente uma noite em que Rhaiza Zanetti assumiu parte do menu. A chef levou três criações ao Standing Sushi Bar e começamos pelo que se tornou nosso favorito: um hand roll de olho de boi, tempura de shissô, yuzu e karasumi. Crocante, fresco e cheio de textura, foi daqueles pratos que acabam e imediatamente fazem a gente se perguntar: será que pedimos outro?
Mas a collab serviu também para confirmar que o cardápio regular merece a visita por conta própria. Seguimos com os pedidos do balcão e fomos de nigiri de atum nacional zuke, com maionese Kewpie, layu e karasumi — atualmente a R$ 20 a unidade —, facilmente outro dos nossos favoritos da noite.
Depois, voltamos ao menu de Rhaiza com o prato quente de camarão e aspargos grelhados, ikura e bisque sobre shari. Entre uma criação e outra, pedimos também o gyoza de wagyu, magret e panceta com molho tataki da casa: recheio suculento, massa delicada e mais um daqueles pedidos que desapareceram da mesa rápido demais. No cardápio atual, a porção com três unidades custa R$ 36.
Também provamos onigiri de bluefin e peixe branco antes de voltar ao formato que já tinha conquistado a mesa: os hand rolls. Desta vez, escolhemos o Spicy Siri, com siri selado, maionese Kewpie, sriracha, layu, gergelim, flor de sal e masago. E pronto: estava decidido. Na próxima visita, queremos sentar — ou melhor, ficar em pé — no mesmo lugar e fazer praticamente uma degustação de hand rolls. Aliás, eles são exclusivos do balcão e aparecem no menu em versões a partir de R$ 32.
O encerramento ficou por conta de outra criação de Rhaiza: um sundae de sorvetes de coco e milho com caramelo de missô. Uma sobremesa que brinca com memória afetiva e encerrou com leveza uma sequência em que, entre pratos especiais e receitas fixas, o Standing Sushi Bar conseguiu nos deixar com aquela sensação que mais gostamos de ter ao conhecer um restaurante: já pensando no que pediríamos quando voltássemos.

Um japonês para voltar sem precisar esperar uma ocasião especial
Com certeza, essa foi a nossa maior surpresa. A qualidade dos ingredientes e a proximidade com o itamae poderiam colocar o Standing Sushi Bar naquela categoria de restaurantes japoneses reservados para ocasiões especiais. Mas o espírito do tachigui faz justamente o contrário.
Há nigiris a partir de R$ 12, gyozas a partir de R$ 20 e hand rolls a partir de R$ 32 no cardápio atual. Isso permite tanto montar uma refeição mais completa quanto simplesmente aparecer para comer algumas peças no balcão. Exatamente como a proposta japonesa que inspirou o endereço.
Para nós, esse é o maior acerto do Standing Sushi Bar: transformar sushi de ótima qualidade em um programa casual. Dá para chegar, conversar com quem está preparando sua comida, perguntar qual é o melhor peixe daquele dia, comer algumas peças em pé e seguir a vida.
Ou fazer como provavelmente faremos na próxima visita: ficar muito mais tempo do que o planejado porque decidimos pedir “só mais um” hand roll.
📍Rua Ferreira de Araújo, 690 – Pinheiros