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Referência mundial, arquiteto Paulo Mendes da Rocha morre em São Paulo

Giulia Trecco Giulia Trecco - Editora | São Paulo Secreto

paulo mendes da rocha

Conheça algumas de suas obras que marcaram a cidade, como o Sesc 24 de Maio e a reforma da Pinacoteca.

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha morreu na madrugada do domingo, 23. Referência na arquitetura mundial, ele estava internado em São Paulo. Seu filho, Pedro Mendes da Rocha, confirmou a morte. “Depois de projetar tantos edifícios em concreto e aço, meu pai foi projetar galáxias com as estrelas”, escreveu o filho em postagem no Facebook.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o arquiteto lutava contra um câncer de pulmão. A causa da morte, no entanto, não foi oficialmente divulgada.

Reconhecimento por todos os cantos

Natural de Vitória, no Espírito Santo, Paulo Mendes da Rocha nasceu em 25 de outubro de 1928. Morou por muito tempo em uma residência projetada por ele mesmo no Butantã, mas depois mudou-se para a Vila Buarque, onde viveu até então. Ele fez parte da importante geração de arquitetos modernistas da Escola Paulista, liderada por Vilanova Artigas.

Foi o segundo brasileiro a receber o Prêmio Pritzker, a mais alta honraria da arquitetura. Antes dele, apenas Oscar Niemeyer (1907-2012) havia sido agraciado com o título. Além disso, também recebeu um Leão de Ouro de Veneza e o Prêmio Imperial do Japão.

Obras em São Paulo

Casa Butantã (1966)

Mendes da Rocha projetou esta casa para si. Após a conclusão das obras, em 1966, se mudou com a família para lá, onde viveu até os anos 1990. A estrutura simples tem quatro pilares que sustentam a “casa térrea suspensa”. Há janelas modulares por todas as fachadas, o que confere muita iluminação natural.

Onde: entre a Praça Monteiro Lobato e a rua Engenheiro João Cintra – Butantã

Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (1995)

Esta obra consiste em uma construção semi-subterrânea com uma viga de concreto “flutuante” com mais de 60m de comprimento. Integrada à construção, há ainda um jardim projetado por Burle Marx.

Onde: Avenida Europa, 218 – Jardim Europa

Poupatempo Itaquera (2000)

Quando foi chamado para comandar as obras do Poupatempo Itaquera, o arquiteto foi enfático: a construção deveria ser integrada à estação intermodal do bairro. E foi o que aconteceu. Com mais de 300m de comprimento, o acesso a ela se dá somente pela passarela que desemboca na estação de trens e metrôs.

Onde: Avenida do Contorno, 60 – Itaquera

Sesc 24 de Maio (2017)

Uma das obras mais recentes de Mendes da Rocha, o Sesc 24 de Maio está na ativa desde 2017. O prédio tem 11 andares ligados por rampas, homenageando dessa forma as ladeiras da cidade.

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Onde: Rua 24 de Maio, 109 – República

Reforma na Pinacoteca (1998)

O arquiteto foi responsável pela reforma do prédio, projetado originalmente por Ramos de Azevedo em 1905. Sem interferir na arquitetura original, mudou de lugar a entrada principal e adaptou a construção neoclássica aos padrões museológicos internacionais.

Onde: Praça da Luz, 2 – Luz

Reforma do Centro Cultural FIESP (1996)

Sabe o calçadão na frente do Centro Cultural FIESP? Obra de Mendes da Rocha. Na reforma feita por ele em 1996, a calçada passou de 7m para 20m de largura. Além disso, o arquiteto deslocou a galeria de exposições para o térreo superior e aumentou o espaço da biblioteca.

Onde: Avenida Paulista, 1313 – Cerqueira César

Entrada da Galeria Prestes Maia (2000)

A revitalização do local, que antes funcionava como um terminal de ônibus, conta com uma asa branca metálica que pousa sobre a entrada da Galeria Prestes Maia. Porém, a obra recebeu muitas críticas por cobrir parcialmente a fachada da Igreja de Santo Antônio.

Onde: Praça do Patriarca – Centro

Reforma no Museu da Língua Portuguesa (2006)

Antes de mais nada, toda e qualquer reforma deveria ser feita sem interromper o alto fluxo de passageiros da Estação da Luz. Junto com seu filho, Pedro Mendes da Rocha, o arquiteto adequou partes da construção para receber o museu. A maior intervenção foi a instalação de quatro elevadores nas torres da construção.

Infelizmente, um enorme incêndio destruiu parte da construção em 2015. A recuperação foi comandada por Pedro, que pôde expandir ainda mais o museu.

Onde: Estação da Luz – Luz

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Tags: história