Já ouviu falar no Depósito do Canindé? Mais conhecido como “Cemitério de Estátuas”, o galpão municipal reúne monumentos, bustos e fragmentos de esculturas retirados dos espaços públicos de São Paulo. Em outras palavras, é o destino das peças que deixaram de cumprir sua função original: adornar praças, homenagear personalidades e embelezar a paisagem da cidade.

Depósito do Canindé: entenda o “cemitério de estátuas” de São Paulo
Os caminhos das estátuas até o “cemitério” variam. Algumas saíram do espaço público para abrir espaço para viadutos ou reformas nas praças, enquanto outras chegaram danificadas, vítimas de roubos e vandalismo. Há também monumentos guardados por razões políticas, morais ou ideológicas.
Uma das obras mais famosas do acervo são as lagostas da Fonte Monumental da Praça Júlio Mesquita. Os adereços de bronze, que renderam o apelido de “Fonte das Lagostas” ao local, sofreram diversos roubos no século 20. Por isso, a Prefeitura guardou as peças no Depósito do Canindé e as substituiu por réplicas de resina que permanecem lá até hoje.
Outro “residente” do depósito é o cavalo de Duque de Caxias — ou partes dele. A estátua em homenagem ao patrono do Exército tem assinatura de Victor Brecheret e, desde 1930, ocupa a Praça Princesa Isabel, no Centro de SP. Em 1960, porém, militares em protesto atingiram o monumento com uma bomba. Com isso, algumas patas do cavalo se soltaram e foram parar no Cemitério de Estátuas.
O espaço também guarda partes do antigo Monumento a Olavo Bilac, desmontado em 1935 para obras viárias, a obra Heróis da Aviação, de Mino Roque, e bustos de personalidades relevantes para a cidade.

As “estátuas aposentadas” podem voltar às ruas de SP?
Na teoria, sim. A Prefeitura informa que as peças do Depósito do Canindé podem retornar ao espaço público, mas o processo não é tão simples quanto parece. Devolver uma estátua à cidade requer avaliações técnicas, recursos e um novo contexto urbano e social relevante para acolhê-la.
Além disso, algumas esculturas estão incompletas, perderam partes ou sofrem com danos severos. Por conta disso, nem sempre o retorno é uma solução viável para as obras.
Embora o “Cemitério de Estátuas” atice a curiosidade dos amantes da arte e da história de São Paulo, o espaço não recebe visitantes. Sendo assim, a única forma de conhecer alguns de seus “moradores” é por meio de fotos, desenhos e memórias de quem pôde apreciá-las pessoalmente.
